 |
|
|
Nossos peitos, nossos braços
Operação concluída. O computador foi arrumado, mas meu querido escâner não pegava. Agora, ao que parece, está tudo certo, a não ser por toda a extensão da Rua Joinville, obstáculo para minhas pernas e braços diante da pasta do jornal nos ombros, o gabinete do computador e a ferramenta eletrônica para meus desenhos.
Preciso levar tudo pra casa, mas a gordinha ansiosa não quer me ver uma carona.
- Eu levo a máquina e amanhã pego o escâner.
- Ou tu queres levar o escâner e eu vejo se alguém pode levar a máquina mais tarde?
- Não, da máquina eu preciso hoje.
- Tu consegues?
- Levo no braço.
As meninas são fantásticas, mas nunca vão entender o computador transportado, o supino levantado, a mala, o travesseiro, a espuma de um velho colchão enrolada e o guarda-chuva que carrego com alguns quilos de roupa via ônibus e boas caminhadas a partir de Itajaí, rumo a uma semana mais confortável no Médio Vale.
Nunca.
Mulheres, a liberdade é um tórax!
Escrito por Pinóquio às 00h42
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Anarquia no apê
Política começa em casa. Animais sociais somos nós em família, no início. Presos. Depois somos mais, somos fortes se quisermos, e levamos um pouco, sim, da escola política do papai e da mamãe, mas, principalmente, carregamos a força do choque entre nossa genética e nossas relações com os grupos da infância e da adolescência.
O grito do Ipiranga tá fazendo aniversário no fim do mês. Dois anos meus. Sair da casa dos pais é um berro político, e eu te digo, amigo: muito mais se viveres entre amigos. Que intenso progresso do ser político este de conviver com as diferenças! Eu me divirto, e rio, sempre, dos que se dizem críticos mas permanecem sentados em jornais, morando sozinhos e lamentando o contraste da minha Anarquia (a República acabou por aqui, e era mesmo um exercício menor).
Escrito por Pinóquio às 21h19
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Em primeiro lugar: sim, eu quero a prorrogação da CPMF. Segundo: eu quero é menos ICMS. Terceiro: abraços ao Décio, meu deputado, e Lula, meu presidente.
Escrito por Pinóquio às 11h51
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Terra no prefeito
O discurso de querer largar o trabalho me é estranho e ofensivo. Uma transformação recente, a conquista do emprego no melhor jornal de Blumenau, ainda não caiu pra mim. Não está no meu planejamento, na minha conversa com o amigo. Eu chego lá, calma! Eu larguei a cerveja. Nada mais ilusório que ela, símbolo maior do engano do lazer, do ciclo de dois dias de diversão para cinco de sofrimento, tão intrínseco nessa sociedade que me lê e me machuca.
Eu gostei de teres dito que não tens tempo para o lazer, mas então com quem vou conversar sobre meu sonho? Eu estou cansado hoje, e não me arrependo. Estou com o corpo seco, duro e fraco, cheio apenas de orgulho. No entanto, solitário. Ninguém grita comigo. Eles querem um engano para a vida de enganos.
Ninguém grita a vitória, ninguém mais tem autoridade diante do prefeito, ninguém mais luta, vence, chora e vem comigo rir um pouco. Eu quero uma festa de sonhos como o Futb, mas pra gente de terra, não de ar.
Escrito por Pinóquio às 23h08
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Os protagonistas se rasgam e se cospem com espadas e ofensas. Há um certo desconforto, sim, um soco no estômago, mas eu vejo o marrom da parede, do bolo, da lágrima, das botas. Os tons pastéis, os corpos treinados, a clareza como empunham o facão. É arte, e eu adoro.
Boys don´t cry. Only men do.
Lonely men too.
Escrito por Pinóquio às 13h32
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
O nome é Javé
Folhear “Shakespeare: a invenção do humano”, livro de Harold Bloom, é sempre empolgante e renovador. Na introdução, enquanto defende a Bardolatria (admiração a Shakespeare) ele conta que os norte-americanos que dizem adorar a “Deus” seguem, na verdade, os valores identificados nos personagens Javé, da “Autora J”, Jesus, do evangelho de Marcos, ou Alá, do Alcorão. Enfim, adoram personagens.
Que engraçados os cristãos. Muitos ficam bravos com o comportamento estadunidense de se acharem a única nação do mundo, mas tratam Javé como se a humanidade nunca tivesse cultuado outro deus. Pã, Dinonísio e outras entidades menos repressoras e controversas ficam de fora de seu conceito de divindade.
Se Javé nos ama e se nos chama pelo nome, é porque quer o mesmo respeito. Então, vamos chamá-lo de Javé. Pelo amor de Buda!
Escrito por Pinóquio às 19h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Meu princípio ético é “ou o santo ou o milagre”, então me perdoem não contar o autor do segredo. Aconteceu com um chargista conceituado, meu ídolo. Esteve em Itajaí um tempo atrás e olhou meus desenhos. Mostrou alguns materiais que eu poderia começar a usar e veio com esta:
“Charge tu sabes o que é? Punheta!”
Segui o conselho algumas vezes. Ajuda.
Escrito por Pinóquio às 19h06
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Renata, sexo e jornais
Não é por paixão nem por planejamento que ele se estende sobre o corpo de Renata. Vítor é louco demais, subversivo no sentido mais que contemporâneo, um submundista. Tira-lhe a saia, a blusinha, pulseira e colares. Das extravagâncias, só não conseguiu lhe remover a maquiagem.
Vítor não gosta de tantos adornos e jóias caras, mas vamos, nada de raiva. Ajeita os enfeites sobre a mesa de cabeceira apenas com certa pressa. Deita e deleita-se todo, iniciando só agora a sintonia que tentaram buscar a noite inteira nas conversas.
Não tinha jeito. Renata não entendia que as letras da Cachorro Grande e o gromelô do Ed Motta em Aystelum eram as manifestações mais sinceras de um cérebro artístico, pedaços de uma vida sem censura, a única utopia necessária.
Os braços cansados, o tronco firme e inflexível de Renata nem de longe lembram o da esposa de Vítor. O casamento civil tinha sido a celebração da coincidência de primeiras, segundas e subseqüentes intenções. Renata é apenas determinação, status, coxas duras, reputação, seios médios, duros e empinados. Um mundo lá de fora agora em seu sofá.
Quando ela lhe toca o membro central, o desejo vira necessidade.
Lembra da época de blogueiro, e de outras mais remotas, estudante de Jornalismo, fanzine na mão, violão nos corredores da universidade. Um dia pegou um jornal pago querendo as novidades de sua gente. Leu tudo e escreveu muito mais e melhor, ciente dos movimentos que o cercavam.
Interrompe os melhores ais e aproxima seus olhos dos dela.
- Rê... na outra encarnação, por acaso...
- Hã?
- Tu foste um jornal pago?
Escrito por Pinóquio às 12h51
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Definida a Capital Nacional da Cultura em 2008.
http://costadessouza.zip.net
Escrito por Pinóquio às 22h15
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Te amo porque sei que, se eu não for ao teu enterro, é porque tu irás ao meu.
Escrito por Pinóquio às 22h12
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Mais vivo, quase parindo
Passo num sebo em Blumenau e vejo obras de Castro Alves e Machado de Assis ao lado de manuais técnicos de Rádio e de Geladeira. Decisão acertada essa de separar as mentiras gerais para o OPinóquio, Blumenau e arte para o Costadessouza. Até a bagunça precisa de ordem.
Antes de o novo site entrar no ar, pelo costadessouza.zip.net e pelo www.blog.costadessouza.com, aguardo uma experiência enriquecedora amanhã, às 19h, na Noche Cultural de Latino-America, na Biblioteca Municipal Fritz Müller.
Na semana que vem, de quarta a domingo, sempre às 20h, os alunos do Grupo Phoenix apresentam “Vera e Luísa” na Fundação Cultural. Ingressos a apenas R$ 3,00 para quem tiver filipeta, que pode ser retirada antecipadamente na Fundação.
Na seção mentiras gerais, vou pra reportagem da Folha de Blumenau na segunda-feira, deixando de lado as boas historinhas do Hospital Santa Isabel e as Setentonas da Divina Providência. Na esperança de que as senhoras de setenta anos convertam-se em meninas ou, melhor ainda, em mulheres.
A Folha circula às quartas e sábados em Blumenau. O desafio vai ser grande, porque o jornal é pequeno; nobre, porque podemos em breve fazer frente ao jornal mais lido da cidade; e adequado ao meu intuito de fazer amor com Blumenau. O OPinóquio segue, na carona, com mais paixão, neste coração cada vez mais vivo.
O Futb não contará com a cobertura que eu havia planejado por aqui, mas talvez seja melhor. Insegurança, instabilidade. Mais uma metamorfose.
Escrito por Pinóquio às 22h52
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
A Fundação Cultural de Blumenau cancelou pela terceira vez esta edição do Mottab, sempre pelo mesmo motivo: a falta de repasse do governo do Estado. O dinheiro já teria sido captado pela Lei de Incentivo. Não há nova data prevista para o evento.
Aproveito pra informar que este blog, em breve, vai informar menos. Vamos pensar, discutir, opinar. E as novidades artísticas passarão para um novo endereço, que poderá ser acessado pelo www.blog.costadessouza.com.
O http://opinoquio.zip.net continuará no ar discutindo comportamento, filosofia, sociologia e comunicação.
Escrito por Pinóquio às 00h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Quase Futb
Falta pouco mais de um mês para a loucura tomar conta das ruas centrais de Blumenau no 21º Festival Universitário de Teatro (Futb), de 6 a 14 de julho. Pra quem não puder ver tudo, deixa que eu conto. Pra quem puder, o espaço está aberto. Vou estar de férias na assessoria de comunicação do hospital e ligado no blog.
A mostra competitiva trará seis espetáculos:
Aves, ovos e parafusos - Universidade de Sorocaba - SP
Ricardo III - Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC - SC
Édipo Rei - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO - RJ
Num quarto vermelho... - Universidade Estadual de Londrina - UEL - PR
Morte e vida severina - Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - SP
Além de cada solidão - Universidade de São Paulo - USP – SP
Butterfly - Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC - SC
Ricardo III é a produção que mais me desperta a curiosidade, por enquanto. O elenco tem dois dos melhores atores de Itajaí: Daniel Olivetto e Marcelo Souza, da Cia. Experimentus. Na direção, André Carreira, que, para os organizadores do Futb, não precisa provar mais nada. Um dos nomes mais respeitados de Santa Catarina. Dele eu assisti “Women´s”, em 2001. Um primor! Um monólogo de uma médica diante de um paciente morto. O morto era uma atriz. E ela jogava com aquele corpo. Cenário memorável e belas interpretações, mesmo com um texto denso.
Três bons motivos apresentados para ver a peça e para ir ao Futb, já que os três devem estar circulando pelo Teatro Carlos Gomes a semana inteira. Espero que o autor da peça, esse Shakespeare, seja bom também, e que apareça por lá.
Pra quem quiser se adiantar, o www.furb.br/futb traz detalhes do festival. Pra conhecer melhor o espetáculo Ricardo III, é só acessar http://www.ricardoterceiro.blogspot.com/ ou o blog do Chico Lingüiça linkado ali ao lado. O Chico também é conhecido como Daniel Olivetto, pros íntimos.
Quem estiver por Blumenau de 7 a 9 de junho ainda pode curtir um aperitivo na Fundação Cultural, na Mostra de Talentos de Teatro Amador de Blumenau (Mottab), só com peças locais.
Que venham os loucos! É uma beleza essa gente por aqui!
Escrito por Pinóquio às 21h09
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Tô de brincadeira
Apertei o Enviar e deu! Devia ser assim sempre. Não que seja bom pra ela, mas a arte precisa circular. O poema dessa vez foi lá no fundo. Trouxe morte na família, amor por um desconhecido, assuntos bem estranhos. Eu busco isso. Escrevi, botei o nome dela no título...só não planejava mandar, mas mandei. Conheço-a muito pouco. Não dou palpite sobre sua reação. A minha? Eu sou mesmo um espuleta!
Uso a arte pra trocar sensações. Se os músicos sertanejos vendem, é porque a gente precisa mesmo disso. Não sou o único. Eu sei que ser como os outros não é meu sonho também, mas não me rejeitem pelo escarro em meus versos. O Augusto dos Anjos escarrava e vendeu muito depois. Poucos sabem, mas ele foi também o precursor do movimento Emo. Eu tinha uma amiga que já era Emo em 2001, de tanto ler “Eu e outras poesias”. Mas deixemos as outras poesias e falemos do mais importante. No caso, eu.
Pareço usar alguém de cobaia. E alguém de quem gosto. Já tive experiências frustrantes com esse hábito. Pego as primeiras imagens em minha mente, misturo e atiro. O poeta que busco pro futuro precisa crescer mesmo. Vamos ver.
Eu arrisco, sempre. Por isso canto, escrevo. A folha em branco nunca rendeu prêmio, nem troféus melhores, como lágrimas ou sorrisos. Meu problema são mesmo as lágrimas. E talvez a vida esteja virada num drama, como um parágrafo cortante. O instante em que Adão e Eva reconhecem-se nus e sentem vergonha. Como se deleta isso? Como me deleto?
É que vou ser deletado mesmo um dia. Deixa eu brincar mais um pouco.
Escrito por Pinóquio às 22h47
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Abstração, muito prazer
Senta-se de frente pra mim e ri dos quadros que vimos. Na mesa do lanche, a mesma idade, masculinidade, aparelho nos dentes como eu, mas discorda.
- Aquilo ali parece que jogaram uma lata de tinta na tela. Até criança faz.
- Os quadros do Leonor?
- É. Aquele delicadinho.
Os quadros são ótimos, arte abstrata. O Leonor é veado.
“Hoje qualquer coisa vira arte”, qualquer um hoje diz. É mesmo difícil entender a fama de pintores como Mondrian (http://www.art.com/asp/display_artist-asp/_/crid--7/Piet_Mondrian.htm). Os livros alegam que o artista tem um olhar diferenciado para a composição. Essa é a chave, mas ainda assim é difícil abrir a porta. O maior problema, porém, é deixar de abri-la por medo. Eu não entendo Mondrian, mas só por querer entendê-lo e não me envergonhar disso, passo a apreciar muita arte abstrata.
O abstrato não condiciona o pensamento e, por isso, não fere. Poderia dar prazer a todos que estão preparados para simplesmente receber a beleza estética. No entanto, nossa sociedade está mais preparada para seguir que para sugerir. Engolir, e não criar uma nova comida. Essa gente prefere telas que remetam imediatamente a uma experiência anterior. Perdem, com isso, a oportunidade de compreender melhor a si mesmos e aos outros.
Os homens que trancam a porta para a abstração são idiotas duas vezes, porque contradizem outro preconceito mais difundido: o de que é preciso aceitar até o mais sutil convite para o sexo. O prazer é o fim e não necessita de motivo, definição ou classificação. Ora, não é essa a regra da abstração? Será que eles só aceitam sexo mediante ofício com justificativa?
- Aquele delicadinho.
O amigo do lado cutuca e, já preparando o riso, ironiza:
- Cuidado, se falar assim dele ele chora!
- Ai, vai ficar magoado!
Explodem em risos.
Eu sou diferente. Mulher pra mim, só se for agora. Não precisa nem dizer o nome. Meu ídolo é o Leonor.
Escrito por Pinóquio às 21h19
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
 |
| [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |